quinta-feira, 7 de julho de 2011

Fica a vida cinza
vento frio, vento sul.
Julho não tem dó:
vento frio vem do sul
pra ser quente em minha pele.

(Marcos Cruz)

terça-feira, 5 de julho de 2011

TANKA

Fica a vida cinza
vento frio, vento sul.
Julho não tem dó:
esse mês sem coração
gela quem dorme no chão.

(Marcos Cruz)

sábado, 2 de julho de 2011

Julho é um mês tão belo;

pena que não seja um poema
só dizer que julho é belo,

belo
pelo frescor que cobre os dias
e pela cor do céu que prateia
o mar.

Eu gostaria que o nosso primeiro
encontro tivesse acontecido em julho;
mas quando foi mesmo o nosso
primeiro encontro?

Em julho os burgueses se refugiam
em Domingos Martins
enquanto que eu não saio da beira
do mar.

Ah, quanto me custa, Deus, para obter
a graça de um poema cuja poética seja julho?
Quanto me custaria um poema no qual coubessem
todas as minhas dores?

Não importa o mês do nosso primeiro encontro,
importa que nossa primeira noite de amor
foi em novembro,
eu lembro.

Em julho,
o frio ameno não é tão atônito
ante o meu semblante moribundo,
as roseiras também florem sob o
céu grisalho;
mas eu quero mesmo é uma tempestade
que enchente o meu vazio.

(Marcos Cruz)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

Banho tomado junto é
peça fraternal do mais íntimo contato.
Quando de água e de carícias ensopado
meu banheiro corpo água
corpo espuma água corpo
 corpo corpo.

Quatro mãos lavam dois corpos
e, sob a doçura do mais intenso possuir mútuo,
a espuma escorre dos cabelos pelas
barba pescoços seios barrigas virilhas joelhos.

Tudo é morno e úmido
como um útero
para quem se banha em água
que tem a espessura do afeto.

(Marcos Cruz)

domingo, 26 de junho de 2011

PEDRA

Eu gostaria de ser esta pedra
ah, como me agradaria sê-la.
Um pedregulho que não sente nem pensa
e não existe, portanto, no eusser
da pequeneza cartesiana.

Tão somente send'eu a pedra
não me haveria cisco nas retinas
nem fadiga em arrancar cotidianamente
                       a pedra do meu sapato.

É de nojo e niilismo que termino
esse poema,

porque não há dentro de mim
                                pedra
                       sobre pedra.

(Marcos Cruz)

sábado, 25 de junho de 2011

Se deves recolher rosas
com espinhos,
comemora!
Há quem as tenha visto antes;
mas que, por medo,
fosse embora.

(Marcos Cruz)