Entrevista Feita por Marcos Cruz, Mestrando em Linguística Aplicada (CAPES/PPGEL/UFES) com grafiteiros capixabas em 30/03/2013.
terça-feira, 18 de junho de 2013
Entrevista Sobre Grafite e Pichação com "Beicon" e "Azedo/ Zed" (crew "Os Belengos") e "Le FeMe". Por Marcos Cruz
Entrevista Feita por Marcos Cruz, Mestrando em Linguística Aplicada (CAPES/PPGEL/UFES) com grafiteiros capixabas em 30/03/2013.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
ORAÇÃO
Cheiro de Jasmim e de Lavanda
tem a presença de meu Deus.
E de alegria se enche o coração
cujo sol é a Grande Luz
que reflete a cor dos Lírios.
O Amor fica comigo sempre que respiro.
domingo, 23 de dezembro de 2012
Se me olho no espelho
tantos me vejo
que não vejo
quem sou.
nem o frescor, nem a morte;
nem o gozo, nem o corte
Isso me mata quando desejo
me apresentar. Se tantos tomam a vez
dizendo que sou o que não sou
em parte
e que não é capaz de primaveras
e que não é capaz de se dizer
e que não é capaz de mais que
anáforas ou polissíndetos.
que não vejo
quem sou.
Falam as minhas vozes
(falham, se algozes),
masnem o frescor, nem a morte;
nem o gozo, nem o corte
se despedem do vazio
escrupuloso
que demora, resta,
fresta aqui.Isso me mata quando desejo
me apresentar. Se tantos tomam a vez
dizendo que sou o que não sou
em parte
e faz tempestade nos
olhos meus tão negros
sem ressaca, sem
outono, sem marçoe que não é capaz de primaveras
e que não é capaz de se dizer
e que não é capaz de mais que
anáforas ou polissíndetos.
E nesse momento a
melancolia
tsumani o fátuo fogo
dos meus egos.
domingo, 22 de julho de 2012
domingo, 20 de novembro de 2011
CONCORRÊNCIA
Eu estava de pé no ônibus, segurando o ferro da parte superior. Reparei que entrou um indivíduo – meio gordo, nem tão frágil – distribuindo os seus papéizinhos. Ele insistiu, eu segurei um também. No papel um texto mal escrito dizia que ele era deficiente e que necessitava de ajuda. Ele foi até o final do coletivo e, voltando até a parte da frente, começou a recolher os bilhetes de miséria.
Nesse momento o ônibus parou, abriu a porta de trás e subiu outro indivíduo rastejando, sem as pernas e com um braço, apenas. Fez um discurso de miserável otimista que dizia que “o pouco, com Deus, é muito” e recebeu todas as atenções e todas as esmolas do coletivo.
O primeiro desceu desapontado e eu não dei um tostão a ninguém.
(Marcos Cruz)
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
JUSTA MOTIVAÇÃO
A Fabrício Saadi Pagani
A polícia chegou a tempo, antes que a confusão tomasse proporção incontrolável. Era um feriadão prolongado e a movimentação estava caótica na Rua da Lama. Foram acionados, porque o cara barbudo queria bater no outro, o de colar de sementes. A discussão começou porque o segundo teimava que a parte do "Espírito Santo" se fazia da direita para a esquerda. Diz-se que nenhum deles era católico.
(Marcos Cruz)
domingo, 18 de setembro de 2011
Saco um samba sintomático
falo afoito facas em frisson.
Não me venham com teologias quando eu
tiver batido a cabeça na quina do armário;
não me venham com filosofias quando eu
tiver dado uma topada com o dedo mínimo do pé
na quina da parede;
o dedo sangra, o dente dói.
Respeitem a anestesia da autopiedade!
Saco facas em frisson
falo afoito um samba sintomático.
(Marcos Cruz)
domingo, 28 de agosto de 2011
"Se o poeta falar num gato, numa flor,
(...)
Se não falar em nada
e disser simplesmente tralalá... Que importa?
Todos os poemas são de amor!"
(Mário Quintana)
Quando eu te quis falar de amor
no meu inverno inverso
do Quintana dos infernos
emergiram remoídos estes versos:
“Tralalá, meu amor,
eu vi um gato.”
(Marcos Cruz)
sábado, 27 de agosto de 2011
Se o meu verso fosse
verso de aêdo,
eu renunciaria à metáfora;
mas, como que por medo,
submeto-me à anáfora;
poesia é flora em fogo:
verde que arde em chamas
e chagas
que se abrem em flores
de múltiplos sabores
sucumbidas pelo calor
que tudo subjuga em cinza;
cinza que cobre a terra após o incêndio
é o verso parido pela maiêutica do grafite.
(Marcos Cruz)
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Ao pé da noite serena
a Lua derrama seu halo
sobre mar do Atlântico
tão escuro;
da praia de Itaparica,
o luar todo enternecido
diluindo-se apaixonado na água:
ele a penetra (e a atravessa até o chão;
mas, enquanto ocorre a decantação,
o fluido prateado contraria a
precipitação
fatalista: expandindo-se
feito fogos de artifício que se acendem
desde as ondas);
essa luz é volátil refletida
qual o desejo.
(Marcos Cruz)
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
SAUDADE
Àquela noite enluarada
(quando, no meu peito, se fez dia)
você me poupou de sua luz dourada,
mas não me privou da flor da poesia.
(Marcos Cruz)
SOLO
Detesto a solidão
;
amo, vejais, ser em andorinhas
ou pardais:
na altura do céu azul em edifícios
vidraças ou metais;
eu detesto a solidão
noentanto estou só
cá no meu quarto
cá no meu canto
sob o soturno manto
de aqui dentro de mim;
(quando a vida perecer
só nos resta de legado
amor ou melancolia;
isso eu afirmo porque
a brisa ou o sol do dia
não pode ser capturado,
guardado com avareza
ou então acumulado,
se a visível natureza
colore-se em céu nublado;
a brisa é fluida e vadia
o sol é imenso e vário;
é natural que a poesia
seja um soneto ao contrário)
eu não estou só
- constato -
nem mesmo no silêncio do meu quarto,
e nenhuma emoção
nasce de introspecção;
todo o que digo
tudo o que sei
é nuvem e brisa e sol
e dor e trago que herdei:
a flor dos olhos sonâmbulos
entorpecidos pela claridade
da certeza
que em minha testa brota;
a miragem do concreto que
cerra minha carne, mas
declina ante meu gemido;
a dor em minhas costas
subjugadas pelo peso
do tempo que exaure meus ossos,
presente do antes e do depois;
o que julgo meu sopro
desejo ou idéia, pois,
(que supostamente nasce)
revela-se, descartando o enigma,
deliberação d'uma assembléia
composta por vozes milhares
sob o semblante solitário
de minha face.
(Marcos Cruz)
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Eu abro meus ouvidos no silêncio
buscando um canto de sereia
que seduza a náusea do indistinto.
Eu fecho os olhos do frio
que em minha sombra sopra
a busca pela cor da distância
do que não tem nome.
Escorrem lágrimas do meu peito
por não reconhecer o feito, cuja
cadeia selada da indignidade
mata.
Observando, sob a modorra do retrocesso,
a dolorosa morte de inventivos processos
durmo o sono do dia a dia
e, se desperto, canso
e volto manso para a covardia de não querer.
(Marcos Cruz)
domingo, 14 de agosto de 2011
Leio no silêncio no meu quarto
como medita um monge
que junta as palmas das mãos
em frente o peito, na altura do coração:
na mesma altura que o livro repousa
sob meus pensamentos;
os olhos curvados num ângulo
de 45°
como os do monge na direção
do chão, direção
que busca o vazio
gashô.
Divirjo, pois, do monge
(mesmo que busquemos mesmo o
nirvana)
porque o meu zazen
não é silêncio:
encontra, em contrário,
gritos num plenário
da multidão de vozes
circunscritas no espaço do tempo
pelo qual minha visão é levada
ao encontro do coro polifônico
de em mim.
(Marcos Cruz)
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
O jeito com o qual amo
não provoca nenhuma surpresa;
dance comigo uma música bem calma,
caso desejes me amar.
A beleza lúcida dos teus lábios rubros
pode lapidar minha pulsão empedernida,
na mesma medida da discrição dos pássaros
quando despertam a manhã com a garganta.
Desejaria voar contigo e passarear
um amor de calopsita,
mas no alto dos prédios da cidade
brotam relvas teimosas pela vida.
A luz da paixão idealizada
cega os meus olhos descrentes,
Cobilândia de outrora!
lugar
onde não mais vivo, mas - se não vivo -
é vivo dentro de mim
como é viva a lourinha que amei
na terceira série
(embora esteja ela morta
para dar lugar à supervisora do supermercado).
- Desejo calabresa; não demore que ela não tarda.
- Sim, senhor.
não provoca nenhuma surpresa;
dance comigo uma música bem calma,
caso desejes me amar.
A beleza lúcida dos teus lábios rubros
pode lapidar minha pulsão empedernida,
na mesma medida da discrição dos pássaros
quando despertam a manhã com a garganta.
Desejaria voar contigo e passarear
um amor de calopsita,
mas no alto dos prédios da cidade
brotam relvas teimosas pela vida.
A luz da paixão idealizada
cega os meus olhos descrentes,
Cobilândia de outrora!
lugar
onde não mais vivo, mas - se não vivo -
é vivo dentro de mim
como é viva a lourinha que amei
na terceira série
(embora esteja ela morta
para dar lugar à supervisora do supermercado).
- Desejo calabresa; não demore que ela não tarda.
- Sim, senhor.
(Marcos Cruz)
domingo, 31 de julho de 2011
domingo, 24 de julho de 2011
Forço e faço fogo fulguroso, é fagulha
notória nata natural; mas natimorta
é a poesia paternal patética; pois o poeta
canta comovido, enquanto a corsa
balbucia bucolismos em sua busca. Se o braço
rema rigorosamente pelo regaço; restringe, pois,
a água espessa, o amor que se abrasa. Arrefeço.
(Marcos Cruz)
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